Quatro em dez crianças angolanas abaixo dos cinco anos sofrem de desnutrição crónica

Quatro em dez crianças angolanas abaixo dos cinco anos sofrem de desnutrição crónica

Estes números estão no relatório Perfil da Criança em Angola, do Instituto Nacional de Estatística, agora divulgado em Luanda.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: UNICEF Angola

Quatro em cada dez crianças angolanas com menos de cinco anos sofrem de desnutrição crónica, segundo o relatório Perfil da Criança em Angola, elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e hoje divulgado em Luanda.

A prevalência de desnutrição crónica nas crianças menores de cinco anos é de 41,2%, segundo o documento, que se baseia nos dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde 2023-2024 (IIMS 2023-2024), realizado entre setembro de 2023 e janeiro de 2024.

Registou-se ainda uma prevalência de desnutrição aguda de 8,3% e de sobrepeso de 2,5% nas crianças da mesma faixa etária.

A desnutrição crónica, medida pela relação altura/idade indica um défice nutricional prolongado que compromete o crescimento físico e o desenvolvimento cognitivo da criança. A desnutrição aguda, medida pela relação peso/altura, indica défice nutricional recente e grave, associado a perda de peso súbita. Já o sobrepeso resulta de peso superior ao considerado saudável para a altura.

As províncias com piores indicadores nutricionais tendem também a apresentar níveis mais elevados de mortalidade infantil e infantojuvenil, sublinha-se no documento, acrescentando-se que a desnutrição crónica "constitui o principal problema nutricional infantil no país".

Angola tem 36,6 milhões de habitantes, segundo os últimos censos, dos quais 17,5 milhões são crianças e adolescentes com menos de 18 anos. As maiores proporções desta faixa etária observam-se nas províncias do Bié, Uíge e Moxico, onde correspondem a entre 57% e 58% da população total.

No estudo são assinalados progressos em vários indicadores face ao IIMS 2015-2016: a mortalidade infantil baixou de 44 para 32 óbitos por mil nascidos vivos, a mortalidade infantojuvenil desceu de 68 para 52 por mil, o trabalho infantil recuou de 23,4% para 13%, e aumentou a cobertura do registo de nascimento e o acesso aos serviços de prevenção do VIH.

A mortalidade infantojuvenil apresenta, contudo, assimetrias provinciais marcadas, variando de nove óbitos por mil nascidos vivos em Malanje para 87 por mil no Cuando Cubango, a província com o índice mais elevado do país, seguida de Benguela e do Huambo.

Apenas 37,8% das crianças menores de cinco anos têm registo de nascimento, com Huambo, Cunene e Bié a registarem as proporções mais baixas, entre 16% e 25%.

No capítulo da educação, a taxa líquida de frequência escolar no ensino primário atingiu 66% a nível nacional, com o Bié (44%) e o Cunene (48%) a apresentarem os valores mais baixos, e o Zaire (87%) o mais elevado.

Em matéria de prevenção da malária, apenas 22% das crianças entre os zero e os quatro anos dormiram debaixo de uma rede mosquiteira na noite anterior ao inquérito, com o Moxico (5%), a Huíla (8%) e o Namibe (10%) a registarem os índices de proteção mais baixos.

No relatório são analisados 58 indicadores relativos a 18 províncias - anterior à criação, em janeiro de 2025, das províncias de Icolo e Bengo, Cuando e Moxico Leste - e conclui que, apesar da melhoria geral face a 2015-2016, "persistem assimetrias no acesso a serviços públicos essenciais", nomeadamente no ensino secundário, na assistência ao parto em unidades de saúde e no acesso a redes mosquiteiras tratadas.
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